A EXTRAORDINARIA BELEZA DA CRUZ
O madeiro, o homem, o sangue. Natureza e humanidade num encontro mortal. Um espetรกculo macabro, com requintes do absurdo, mas curiosamente proporcionando beleza. Uma sinfonia onde a dissonรขncia produziu melodia. Do embate amargo entre a truculรชncia romana e a disponibilidade intrigante de um rapaz judeu, nasceu o baile da esperanรงa. Coisas de um Deus detalhista, amorosamente artรญstico. Deus abraรงou a cruz, mas permaneceu com os braรงos abertos, formando assim o majestoso canal por onde angรบstias e รณdios podem esvair-se... A cruz รฉ o ponto exato da convergรชncia dos contrastes. A mais aguda dor, na mais doce ternura. A mais apavorante cena, no enredo mais lindo. O frรกgil judeu espancado, revelando o "Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Prรญncipe da Paz" (Is. 9.6). No auge das trevas, a luz reclama. No alto da cruz, o Deus solitรกrio grita, mas nรฃo รฉ um grito, รฉ meu nome que escapa. Benditos contrastes. Nos ombros, o peso do mundo. Um caminhar lento, pesaroso, ...
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